Frevo e Maracatu: História, Diferenças e Onde Ver

Manifestação cultural de rua em Pernambuco

Frevo e maracatu são a trilha sonora do Carnaval de Recife e Olinda, mas são coisas bem diferentes. O frevo é um ritmo urbano de metais, nascido nas ruas do Recife. O maracatu é um cortejo de tambores com raízes nas coroações de reis negros e nos canaviais da Zona da Mata. Os três são patrimônio do Brasil, e o frevo também é patrimônio da humanidade. Este guia explica cada um e diz onde vê-los.

Frevo: o ritmo que nasceu na rua

A palavra “frevo” apareceu na imprensa pernambucana em 9 de fevereiro de 1907, no Jornal Pequeno, segundo o parecer do IPHAN que revalidou o frevo como patrimônio em 2021. Por isso o 9 de fevereiro é o Dia do Frevo em Pernambuco. O Diario de Pernambuco encontrou um registro ainda anterior, de janeiro de 1906, mas a data de 1907 é a consagrada.

Segundo o IPHAN, o frevo nasceu de uma mistura bem urbana: as bandas militares e suas rivalidades, os escravizados recém-libertos, os capoeiristas, a nova classe operária e as ruas da cidade que crescia. O passo, a dança, é atribuído à ginga dos capoeiristas que defendiam as bandas e os blocos. Conta-se que a sombrinha começou como guarda-chuva, usado até nas brigas entre bandas, e foi diminuindo até virar o acessório que ajuda o passista a se equilibrar, como lembra o Brasil de Fato.

Os três tipos de frevo

O IPHAN reconhece três modalidades: o frevo de rua, que é o gênero original e só instrumental; o frevo-canção; e o frevo de bloco. A orquestra de frevo junta trompetes, trombones, tubas, saxofones, clarinetes, flautas, surdo, caixa e pandeiro.

O reconhecimento

O frevo foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN em 2007, no centenário da palavra. Em 2012, a UNESCO o inscreveu na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade como “frevo, artes do espetáculo do Carnaval do Recife”. O Dia Nacional do Frevo é 14 de setembro, em homenagem ao jornalista Osvaldo Almeida, apontado como um dos criadores da palavra, segundo a Rádio Senado.

Recife Antigo, região com forte presença cultural

Maracatu: dois ritmos com o mesmo nome

Existem dois maracatus, e os dois foram registrados como patrimônio pelo IPHAN em 2014.

Maracatu nação, de baque virado

O maracatu nação tem raízes nas coroações de reis e rainhas do Congo feitas pelas irmandades religiosas negras no período colonial, segundo o IPHAN. É um cortejo real: rei, rainha, damas do paço, príncipes, princesas, baianas, caboclos e soldados. A dama do paço carrega a calunga, uma boneca que simboliza a ancestralidade. O som vem das alfaias, os tambores grandes, junto com gonguês, taróis, caixas, mineiros e ganzás. Muitas nações têm ligação com o culto aos orixás e com a Jurema Sagrada.

A nação mais antiga em atividade contínua é o Leão Coroado, fundado em 1863, segundo a Folha de Pernambuco. Em 2024, foi criado o Dia Nacional do Maracatu, em 1º de agosto, data de nascimento do mestre Luís de França, do Leão Coroado.

Maracatu de baque solto, o maracatu rural

O maracatu de baque solto vem da Zona da Mata Norte, do ciclo da cana, e foi formado por cortadores de cana nos engenhos. Nazaré da Mata é chamada de “terra do maracatu”. A figura mais conhecida é o caboclo de lança, com roupa bordada, chocalhos nas costas, lança colorida e chapéu de fitas. A música vem dos ternos, com tarol, surdo, ganzá, cuíca e gonguê, mais trombones, trompetes, saxofones e clarinetes.

O maracatu rural se prepara o ano inteiro. As golas e os estandartes são bordados à mão nas sedes, e as sambadas, com versos improvisados, vão até o amanhecer, contou o Diario de Pernambuco em janeiro de 2026. Para o Carnaval 2027, o Galo da Madrugada escolheu o caboclo de lança como tema.

Centro histórico de Olinda, palco tradicional do carnaval de rua

Onde ver no Carnaval

  • Abertura do Carnaval do Recife: acontece no Marco Zero, com as nações de maracatu. Em 2026, 13 nações abriram a festa.
  • Noite dos Tambores Silenciosos: na segunda-feira de Carnaval, no Pátio do Terço. Em 2026, reuniu 41 maracatus.
  • Encontro de Maracatus de Baque Solto: também na segunda de Carnaval, em Nazaré da Mata. Em 2026, foram 70 nações e mais de 10 mil brincantes, segundo o Diario de Pernambuco.
  • Frevo nas ladeiras de Olinda e nos polos do Recife, com orquestras e blocos o dia inteiro.

Onde ver fora do Carnaval

Paço do Frevo. O museu, na Praça do Arsenal, no Recife Antigo, tem a exposição “Frevo Vivo”, um centro de documentação e visitas mediadas. Abre de terça a sexta, das 10h às 18h, e nos fins de semana, das 11h às 19h, segundo o site do Paço do Frevo. A entrada custava R$ 10 em 2026, com meia de R$ 5 e entrada gratuita às terças, segundo o Brasil de Fato. Em setembro de 2026, no Dia Nacional do Frevo, o museu teve quatro dias de programação especial, com oficinas e entrada gratuita no dia 14, segundo o Brasil de Fato.

Terça Negra. No Pátio de São Pedro, às 19h, o projeto do Movimento Negro Unificado com a Prefeitura do Recife reúne maracatu, afoxé e rap desde 2001 naquele endereço, segundo o Diario de Pernambuco. Confira a agenda antes de ir.

Prévias e ensaios. As nações ensaiam nas suas sedes nos meses antes do Carnaval, e as prévias tomam as ladeiras de Olinda. Siga as redes das nações e dos blocos para saber as datas.

Bares. O Bar do Ró, no Amparo, em Olinda, se apresenta com quitutes regionais e frevo, e o Teatro Mamulengo, na Praça do Arsenal, que já recebeu festas com orquestra de frevo.

Apresentação de música regional em bar de Recife

Para montar a viagem em torno dessas tradições, veja o roteiro de 4 dias em Recife e Olinda e a vida noturna por bairro.